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  V IDAS NUAS, CORPOS PRECÁRIOS: ANIMAIS COMO CIFRAS DA VULNERABILIDADE NA REPRESENTAÇÃO ARTÍSTICA   ZURBARÁN, Francisco de. Agnus Dei. Óleo sobre tela, 38 × 62 cm, c.1635. Museo del Prado, Madrid Um ensaio sobre animalidade, necropolítica e intermidialidade dos invisíveis   "O animal nos olha, e estamos nus diante dele. E talvez o pensamento comece aí." — Jacques Derrida, O Animal Que Logo Sou       INTRODUÇÃO: O ANIMAL COMO QUESTÃO   Quando Graciliano Ramos escolhe narrar a agonia de Baleia, a cadela de Vidas Secas, em terceira pessoa mas pela perspectiva do animal moribundo, opera-se uma ruptura radical no regime de visibilidade do romance brasileiro. Ali, naquelas páginas que fazem leitores chorarem pela cachorra, não se trata apenas de antropomorfizar o bicho para despertar piedade — trata-se de expor, através do corpo vulnerável do animal, a própria estrutura da violência que produz tanto a vida humana quanto a não-humana co...