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SUTURAS, FISSURAS, RUÍNAS "Se a dor do outro não doer em mim, eu desconheço o amor." (São Paulo, outubro de 2022) Plano 0 Azulejo português sangra quando você rasga. Adriana Varejão sabe disso. São Paulo também. Eu tinha uma luz pérola na cabeça quando entrei na cracolândia. Luz de amor incondicional que enviava para tudo e todos — prédios, carros, vitrines, gente. Amor universal, abstrato, generoso. Aquele amor bonito que cabe bem em frase motivacional. Amor que esquecia justamente quem mais precisava dele.   Plano 1 — Exterior — Pinacoteca — 16h Saí da exposição Suturas, Fissuras, Ruínas com a cabeça cheia de feridas pintadas e o coração cheio de insights. Varejão tinha passado a tarde me mostrando que parede colonial tem carne, que história não cicatriza, que beleza arquitetônica esconde carnificina. Eu tinha passado a tarde tirando foto das legendas para parecer culto. Mochila de couro nas costas. Calça jeans. Tênis surrado. Fone de ouvido — pequeno e...